Altair Lisboa

Eduardo Lira é o pseudônimo de Altair Lisboa. Amante das LETRAS e admirador das entrelinhas poéticas. Venha viajar nessa aventura magnifica pela leitura e interpretação.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Grãos derramados na Via Sacra
            Sensibilidade. Arte. Espiritualidade. Fé. Memórias. Vivências. O cotidiano áspero. Pérolas lançadas ao caos. São tantas sensações perdidas em uma rotina bruta, que instantes de lirismo tornam-se pérolas dentro de nós: aquele minúsculo grão de areia que invade a carapuça dura da ostra e instala-se no corpo mole incomoda. Porém, o incômodo é sinal de vida. Às vezes, o dia-a-dia implacável cede ante a beleza.
            “Grãos derramados na Via Sacra”, X livro de Altair Lisboa, é uma pérola. A primeira edição, impressa com trinta e seis páginas, traz a sensação do grão de areia que penetra a concha: pequenina, mas uma vez instalada, causa incômodo e beleza. No decorrer da leitura, cada poema evoca a solidão do indivíduo engolido pela urbe, mas que ainda assim se descobre com um brilho. Ou, com uma pérola dentro da armadura forjada pela amargura dos dias.
             Diversos são os tipos de homens. Os que destroem sonhos e os que sobrevivem. “Tenho andado sozinho/ À procura de horizontes/ Com medo e desejo/ De viver bem (...) Porque viver é preciso.../ Mesmo sem horizontes”. Como mostra o poema “Desencontro”, ainda que as incertezas sejam grandes, é necessário concretizar o fazer poético, se há o clamor. Professor de língua portuguesa, poeta, cronista e romancista, Altair Lisboa a cada dia nos enriquece ao prosseguir com a jornada de escrever literatura e publicá-la. Quem ganha é o público que se depara com reflexões profundas, mas sensíveis.
“Homens sem teto”, “O dia em que fui ao circo” e “Ele alimentou a humanidade com pão e vinho” são os três capítulos que dividem a obra. Por cada um destes poemas perpassam questionamentos e perplexidade. No poema Homens, que abre o primeiro capítulo, observa-se o tom que predomina: “Nas ruas transitadas da cidade/ Há homens sem alma,/ Sugando a vida./ A esperança flui farta nos olhos e nos gestos./ Na cidade vagam anjos,/ Pedaços de céu fecundando homens”. Como grãos sagrados derramados na via sacra chamada cotidiano, cada poema do livro é uma pequena pérola de sensibilidade inspirada em dias cada vez mais difíceis.


Wanessa Oliveira dos Santos é mestra em Literatura brasileira pela UFRJ

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

DESENCONTRO
 T

 enho andado sozinho
A procura de horizontes,                   

Com medo e desejo
De viver o bem.
Tenho sido alguém
Vagando em esquinas,
Chorando ruínas e
Reconstruindo das sobras.
Tenho sido gente,
Sem essência e sem ser,
Só de viver.
Porque viver é preciso...
Mesmo sem horizontes.

domingo, 22 de janeiro de 2017

AMARRAS E GRILHÕES


U
m córrego desce a montanha
 E lava a aldeia,
Arrastando em suas ondas
A sede e a fome,
Que arde febril
A margem do rio.
As pedras e as matas
São santuários vivos,
Protetores do riacho
Onde o regato desvanece
E desliza em fendas
As amarras humanas
                                      Pra desaguar no mar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ALMAS

  S

omos filhos da traição
Vagando na cidade
À procura de um ninho,
Como pardais aflitos
Na tempestade.
Sobre nosso brio
Decai o peso de nossas penas encharcadas,
Desafiando a sobrevivência
Dos gestos inocentes infantis.
Somos teus...
Filhos do acaso,
Voando pra tecer tua história,
Tateando nas luzes frias
O alimento que nos faz existir.


Grãos Derramados na Via Sacra



          Esta obra contém poesias escritas em momentos de profundo questionamento sobre o mundo e minha relação com ele. De tudo que vivi neste período, além das marcas do tempo, ficou a certeza de que são as entre linhas que me ensinaram escrever com a alma aquilo que a razão jamais me permitiria expor.
          No entanto, entendi que a poesia é um clamor sem voz daquilo que queima por dentro. Às vezes, prefiro crer que arte é a recompensa que Deus deu ao homem para seus momentos de apreensão.
         Algumas destas poesias trazem o lirismo em sua pura essência, outras tocam no social, algumas na relação humana com o Sagrado... Aqui estão elas sem fronteiras, expostas pela vontade de se fazer compreender.
          Compartilhar a poesia que brota da alma é apropriar-se da licença poética e dá ao mundo um pouco daquilo que está escondido em nós.

                                                    







Lançamento do Livro: "Filhos da Primavera" assinado por Eduardo Lira, pseudônimo de Altair Lisboa. Ocorreu na tarde do dia 19 de março de 2016, reunindo amigos e familiares no colégio Seis de janeiro, na Vila Operária, onde funciona o nucleo PVNC (pre vestibular para Negros e Carentes).